Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) trouxe à tona uma preocupação crescente, mas ainda pouco discutida: o impacto do uso excessivo de telas na saúde mental da população idosa. A pesquisa, divulgada em 2023, aponta que a dependência digital, até então associada majoritariamente a jovens e crianças, também está afetando o bem-estar psicológico de pessoas com 60 anos ou mais.
Segundo os pesquisadores, os idosos têm apresentado sintomas compatíveis com a chamada nomofobia — o medo irracional de ficar sem o celular. O fenômeno foi identificado como um dos indicadores de piora na qualidade de vida e no equilíbrio emocional desse grupo. O uso contínuo de dispositivos digitais, potencializado durante a pandemia, estaria contribuindo para o isolamento social e o aumento de quadros de ansiedade e depressão.
O estudo faz um paralelo com pesquisas anteriores voltadas ao público infantil, nas quais 72% dos levantamentos já haviam indicado correlação entre a exposição prolongada a telas e o aumento de sintomas depressivos. No caso dos idosos, a vulnerabilidade emocional pode ser ainda mais acentuada devido à perda de vínculos presenciais e ao uso das telas como substituto da interação social real.
A pesquisa da UFMG lança um alerta importante para profissionais de saúde, familiares e formuladores de políticas públicas: é preciso estabelecer limites e alternativas saudáveis para o uso da tecnologia por pessoas idosas. A conectividade pode ser aliada, mas, sem mediação adequada, também se torna um fator de risco à saúde mental.
Leia mais sobre a pesquisa: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/sem-limite-de-idade-uso-excessivo-de-telas-piora-saude-mental-de-diferentes-geracoes